A documentação oficial define o modelo sem ambiguidade: o SAP Business One é baseado em licenciamento por usuário nomeado, em que cada licença é concedida a um nome de usuário específico. Um usuário nomeado é um empregado do cliente, de uma subsidiária ou de um terceiro autorizado a acessar o software licenciado, de forma direta ou indireta.
A consequência é imediata para quem orça um projeto. Dez pessoas que usam o sistema uma hora por dia consomem dez licenças, e não uma. O cálculo por acesso simultâneo, comum em outras categorias de software, não se aplica aqui, o que precisa entrar cedo em qualquer avaliação de ERP para indústria.
Compartilhar usuário entre turnos não é uma opção
O guia é explícito: empregados não podem compartilhar um mesmo nome de usuário para acessar o SAP Business One. A tentativa de contornar o modelo criando um usuário por posto de trabalho contraria a regra de licenciamento.
Há um detalhe que ajuda no desenho: as licenças atribuídas a um usuário nomeado não são específicas de uma base de dados de empresa. A mesma pessoa acessa mais de uma empresa com a licença dela, embora duas pessoas nunca dividam uma licença.
Os tipos de licença e o que cada um habilita
A documentação reconhece os tipos Professional User, Limited CRM User, Limited Financials User, Limited Logistics User e SAP Business One Starter User. Todos incluem autorizações de Indirect Access, o que é relevante para quem opera em manufatura não seriada com camada de extensão.
Acesso janela a janela
O critério que separa os tipos é o nível de acesso por tela. O guia estabelece que, conforme o tipo de licença concedido, o usuário pode ter controle total de uma janela, abri-la apenas em modo de leitura, ou não ter acesso a ela.
É por isso que dimensionar por cargo é impreciso. O que define o tipo não é a posição da pessoa no organograma, e sim o conjunto de telas que ela precisa operar e em que profundidade.
| Tipo | Orientação de acesso | Indirect Access |
|---|
| Professional User | Escopo amplo | Incluído |
| Limited CRM User | Orientado à área comercial | Incluído |
| Limited Financials User | Orientado à área financeira | Incluído |
| Limited Logistics User | Orientado à área de logística | Incluído |
| Starter User | Pacote de entrada | Incluído |
Starter Package: um caminho separado, não um degrau
Existe uma regra que precisa ser conhecida antes da adoção, e não depois. A documentação estabelece que a licença do starter package não pode ser usada com nenhum outro tipo de licença de usuário do SAP Business One para gerar um arquivo de chave de licença, incluindo licenças de kit de desenvolvimento e de servidor de integração.
Na prática, isso significa que o pacote de entrada não se mistura com os demais tipos. Ele é um caminho próprio, e a decisão de adotá-lo precisa considerar o cenário de crescimento da operação.
As regras oficiais que quase ninguém menciona
Quatro pontos do guia oficial afetam diretamente o desenho de um projeto e raramente aparecem em material comercial, inclusive nos que tratam de SAP Business One para indústria.
A licença é específica de localização
Desde a versão 8.8, cada licença do SAP Business One é gerada para uma localização específica. Uma empresa que opera em mais de um país recebe um arquivo de licença por país, conforme os requisitos daquela localização.
Os usuários ficam licenciados para acessar apenas as bases da localização correspondente. Isso muda o desenho de projetos com operação internacional e precisa ser considerado antes do dimensionamento.
O guia lista componentes recebidos automaticamente com a solicitação de licenças, sem pedido separado: o kit de desenvolvimento na versão de implementação, as ferramentas associadas, os add-ons da SAP, a licença de compatibilidade para add-ons e o componente de fluxo de trabalho.
Conhecer essa lista evita orçar à parte itens que já estão contemplados, o que é comum em projetos que envolvem add-ons de produção para SAP Business One.
Add-ons e a execução em uma máquina
A documentação registra que usuários de todos os tipos de licença podem acessar um número ilimitado de add-ons. Registra também uma restrição operacional: a partir da versão 9.2, um usuário nomeado só pode executar add-ons em uma máquina por vez.
A licença do add-on é do fornecedor do add-on
Sobre solução de parceiro, o guia estabelece que as autorizações de Indirect Access precisam ser contratadas, seja como licenças separadas, seja como parte dos tipos professional, limited ou CRM. Acrescenta que a solução do parceiro precisa estar devidamente licenciada pelo próprio parceiro.
São camadas distintas de licenciamento, e confundi-las gera surpresa no orçamento, ponto que também aparece na avaliação de um SAP Partner no Brasil.