Programar com capacidade infinita significa calcular datas retrocedendo a partir da entrega sem consultar quanto trabalho já está alocado ao recurso. O sistema devolve uma data porque a conta fecha no calendário, não porque a fábrica dá conta.
Programar com capacidade finita significa consultar o calendário do centro de trabalho, verificar quanto ainda cabe e alocar somente o que cabe. Quando não cabe, o sistema devolve conflito. Todo o valor do APS está nessa devolução: um conflito exibido na programação é uma decisão, enquanto o mesmo conflito descoberto na semana da entrega é um atraso. Em produção discreta, onde cada ordem percorre um caminho próprio, essa antecipação é o que mantém a carteira sob controle.
Programação para frente e programação para trás
A programação para trás parte da data de entrega e recua operação a operação até encontrar a data de início necessária. Ela responde quando é preciso começar.
A programação para frente parte de hoje e avança, respondendo quando o trabalho ficará pronto. A primeira sustenta o compromisso comercial, a segunda descreve a realidade da fábrica. Quando as duas divergem, a diferença é exatamente o atraso que a ordem vai acumular, e enxergá-la antes é o que permite renegociar prazo.
Como o APS monta a sequência
O sequenciamento parte das ordens já liberadas pelo planejamento e controle da produção, do roteiro com tempos de cada operação e do calendário de capacidade de cada centro de trabalho. A partir daí, aplica uma regra de prioridade definida pelo negócio.
As regras de prioridade e o que cada uma custa
Sequenciar por data de entrega maximiza pontualidade e costuma maximizar também o número de preparações de máquina. Sequenciar por similaridade de setup reduz o tempo perdido em troca de ferramenta e pode atrasar pedidos individuais.
Sequenciar por cliente ou por margem privilegia o resultado comercial e sacrifica a média da carteira. Sequenciar pelo gargalo subordina toda a fábrica ao recurso restritivo. Não existe regra correta em abstrato: existe a regra que corresponde à prioridade do negócio, e escolhê-la é decisão de gestão.
Restrição dura e restrição preferencial
Restrição dura é a que o sequenciamento não pode violar: capacidade da máquina, dependência entre operações, ferramental exclusivo, limite físico de processo. Restrição preferencial é a que se pode violar com custo, como agrupar por similaridade ou evitar turno noturno.
Configurar uma preferência como restrição dura trava o sequenciador e produz conflito onde não há. Configurar uma restrição real como preferência produz um plano que a fábrica não executa.
APS, MRP, PCP e MES: o que cada um decide
Os quatro termos circulam juntos em avaliações de software industrial. A confusão entre eles é a origem de expectativas erradas, porque cada um decide sobre um objeto diferente.
| Função | Objeto da decisão | Pergunta que responde | Camada |
|---|
| PCP | A função inteira | O que produzir, quando e com o quê | ERP |
| MRP | Material | Que material comprar ou produzir, quanto e quando | ERP |
| APS | Capacidade e sequência | Em que ordem e em qual máquina cada operação roda | ERP |
| MES | Execução | O que está acontecendo agora no chão de fábrica | Chão de fábrica |
A fronteira das duas últimas linhas tem base normativa. A norma ISA-95, publicada internacionalmente como IEC 62264, organiza a manufatura em cinco níveis. O nível 4 é business planning and logistics, onde vive o ERP, e o nível 3 é manufacturing operations management, onde vivem os sistemas de execução. A ISA registra que o padrão trata principalmente da interface entre os níveis 3 e 4.
O APS e o cálculo de necessidade de materiais são complementares: o MRP garante que o material exista, o APS garante que exista hora-máquina para transformá-lo.
Dentro do SAP Business One, o sequenciamento roda sobre a mesma base de dados que recebe as ordens e o apontamento. Isso elimina a sincronização entre sistemas paralelos, que é onde a programação costuma envelhecer sem que ninguém perceba.
O DiamondOne é o add-on de manufatura avançada construído sobre o SAP Business One, e o módulo de APS opera integrado ao PCP e ao apontamento de fábrica. A consequência prática: o tempo realizado corrige o tempo previsto do roteiro, e a sequência da semana seguinte parte de dados menos errados.